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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Jabuticaba do jabuticabal


“A vida no campo é fruta madura. Amizade é coisa pura, é mel no coração. Gado no curral, cuscuz com leite. Café com queijo, eu gosto é de um requeijão ...” - diz parte de uma canção de Juraildes da Cruz.
"Tenho no quintal uns pé de fruta e de flor. E no meu peito por amor, plantei alguém (plantei alguém). Que vida boa ô ô ô. Que vida boa ..." diz uma outra mais conhecida  e popular nas vozes de Vítor e Léo.


E é mesmo assim. A vida no campo inspira e traz o sossego que o desassossego da cidade desconhece. Fiz um caminho inverso a tempo de descobrir e dar valor a essas coisas que antes via de contarem ou de um passeio vez por outra     na roça de um conhecido de um amigo de amigo meu.
Não é fácil gente urbana se acostumar facilmente à vida que mais parece de bicho escondido no mato, mas eu tive a sorte de ser assim – adaptável. Taí uma qualidade que num faz ‘maR’ a ninguém, ao contrário da sinceridade que, às vezes, até judiar judia (rs).

Aqui na Roça, eu diria, ainda dá pra sobreviver a um holocausto – tem sempre no mato remédio pra tudo e buraco pra tudo quanto é de lado; vaca que dá leite, umas outras que não e que dão em carne; galinha que dá ovo, outras que num dão e vão pra panela e por aí vai. Mas são os pés de frutas a minha alegria de criança crescida: abacateiros, mangueiras, bananeiras, laranjeiras, aceroleiras, jaqueiras, pitangueiras ... jabuticabeiras ... Ah, as jabuticabeiras!
O período de safra da jabuticaba, em geral, vai de agosto a novembro. Aqui na Roça as primeiras nos vieram em meados desse mês de outubro. Essas redondinhas, miudinhas e escurinhas são ricas em cálcio, fósforo e ferro, além de outras vitaminas, como as do complexo B e a C. Ainda estimulam o apetite, combatem males da pele, o reumatismo, queda dos cabelos e são ótimas para o metabolismo do nosso organismo. Quer mais? As cascas cozidas da jabuticaba auxiliam no combate à diarreia e se consumidas com a casca e o caroço, ajudam a regular o intestino porque são ricas em fibras.
Agora, são muito sensíveis, viu? Então, se for consumir assim que colhê-las, pode lavá-las, mas, caso não, não deverão ser lavadas pois azedam facilmente. Se forem à geladeira duram de dois a três dias sem perderem o viço e a firmeza.

100g de jabuticaba fornecem 43 calorias e inúmeras receitas podem ser feitas a partir dessa fruta deliciosa, tais como: licor, batida, geleia, ... Incrementam pratos salgados também, como frango e lombo ao molho de jabuticaba.

Como tenho andado mais atenta às delícias da cozinha caipira, seguem duas receitas que recomendo por ter experimentado: um molho para acompanhar carnes grelhadas e a geleia de jabuticaba.
Molho de Jabuticaba –

- 1 xíc. de chá de jabuticaba; 1 xíc. de chá de água.
Bata, coe e ferva com os seguintes ingredientes:
- 1 pedaço de canela em pau; 1 colher de sopa de vinagre de maçã; 1 colher de sopa rasa de açúcar; 1 xíc. de chá de vinho branco suave.

Deixe apurar até que fique uma calda.

Geleia de Jabuticaba – 
- 1k de jabuticaba; - açúcar.

Lave-as tirando os cabinhos e leve ao fogo numa panela sem acrescentar água. À medida que for cozinhando vá amassando com uma colher de pau ou escumadeira. Deixe cozinhar por aproximadamente 5 minutos. Passe por uma peneira amassando bem. Meça o líquido e acrescente a mesma quantidade de açúcar. Cozinhe até o ponto de geleia. Pronto!
  





Citando novamente o Juraildes - "Nóis é jeca, mas é jóia!" Abaixo segue o vídeo da música caipira "Vida no Campo", composição do mesmo Juraildes da Cruz, com a participação de Xangai.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Da Seca à Bonança

No Cerrado de Brasília e entorno foram 107 dias de seca esse ano. Esse tipo de vegetação, o Cerrado, cobre cerca de 22% do território nacional, abrangendo oito estados do Brasil Central: Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e o Distrito Federal.
As conseqüências são dias muito secos e quentes e noites frias, como acontece nos desertos.  Apesar do calor, a baixa umidade faz o organismo transpirar pouco, prejudicando a lubrificação da pele, deixando-a ressecada.  A umidade ideal para que o organismo se sinta bem é de 80% com mínima de 50%. Brasília, por exemplo, em época de seca a umidade pode chegar a 10%, igual à do Deserto Saara.
A baixa umidade do ar é o que caracteriza a seca. Esse (o ar) fica mais rarefeito, com menor quantidade de oxigênio e com menor quantidade de água. Daí, as constantes notícias de queimadas todos os anos. Segundo o Corpo de Bombeiros do DF, foram registrados 82 focos de queimadas, destruindo 746 hectares de vegetação do Cerrado, isso somente num final de semana.




Costumo dizer que a chuva é para o Cerrado uma espécie de 'fada' que sopra ao ouvido de cada galho e toco ressequido, queimado e retorcido: “anda, levanta, reflora, reverdece, respira, viceja!”. É assim mesmo que acontece logo nas primeiras chuvas na entrada da primavera. Como que por um milagre, o Cerrado se regenera a olhos vistos, da noite para o dia - dorme seco, acorda verde e sorrindo em flor e frutos.
Os principais arbustos encontrados no Cerrado são: pau-santo, pequi e lixeira. As árvores são, na sua maioria, de pequeno porte e galhos tortuosos. As árvores mais altas do Cerrado chegam a 15 metros de altura. Apenas nas matas ciliares as árvores ultrapassam 25 metros e possuem normalmente folhas pequenas.
Pau-Santo

É no início da estação chuvosa (setembro – dezembro) que a maioria dos frutos de Cerrado amadurecem – amora, ananás, araçá, araticum, babaçu, bacupari, buriti, baru, chichá, curriola, gabiroba, gravatá, guapeva, jabuticaba, jatobá, jerivá, murici, cagaita, genipapo, macaúba, manga, mangaba, murici,  pitanga, pitomba, puçá, pequi, entre tantos outros que são uma festa para a visão, olfato e paladar.
Pé de Jabuticaba carregado
Estou longe de conhecer todos os sabores do Cerrado. Também como poderia? Mas me gabo por ter sempre ao alcance acerolas, avocatos, bananas, laranjas, jabuticabas, mama-cadela, mangas, cagaitas, maracujás... Tudo no fundo do quintal alheio (rs).
Pé de Cagaita
As formigas sempre são vistas debaixo dessas árvores nessa época. Os bois e vaquinhas aqui da roça são bem seletivos e só comem os melhores frutos que caem ao chão.
Dentre os frutos do cerrado, sorvete de cagaita é um dos mais saborosos que provei
O Pequi é uma outra árvore nativa do Cerrado brasileiro. Na língua indígena, pequi significa "casca espinheta". O fruto do pequizeiro não é, digamos assim, uma preferência nacional, mas pra quem gosta, como eu, há uma série de receitas boas demais da conta, moço! A mais conhecida e pedida é o frango com pequi, mas se destacam também pequi ao molho caipira e carne de carneiro com pequi. Da polpa se pode extrair o azeite de pequi - óleo usado como condimento e  na fabricação de licores. Há também até, pasmem, sorvete de pequi. Euzinha mesma provou esse sorvete com sabor pra lá de exótico na sorveteria "Frutos do Brasil" na Capital goiana e também na "Sabores do cerrado" em Pirenópolis. 

Selecionei e segue abaixo uma receita mais simples e fácil de fazer capaz de agradar desde carnívoros a vegetarianos: Arroz com pequi.


Ingredientes
1 xícara (chá) de arroz
2 colheres (sobremesa) de óleo de canola
10 pequis
2 dentes de alho picados
1 cebola média picada
3 colheres de sopa de salsinha picada

tomates para decorar

Modo de Preparo do Arroz com Pequi


Refogue o arroz com o alho e a cebola. Coloque a água e os pequis. Deixe cozinhar e sirva quente. Salpique salsinha e decore com os tomates.

Na hora de servir, lembre-se que a polpa só pode ser mordida superficialmente. Logo abaixo ficam os espinhos que podem machucar e são difíceis de serem retirados.
Rendimento = 4 porções                       
Calorias por porção = 290



















E, então, gostaram? Já conhecem? Aprovaram? Eu provei, aprovo e recomendo. Bom apetite!