domingo, 1 de dezembro de 2013

Asas

             - Quando eu era menino, isso aqui, para onde quer que se olhe, era um bando  após outro em revoada. Parecia uma sinfonia de pássaros. Diz o dono da roça toda vez que a gente pega a tropa para explorar o Cerrado nos arredores.

Imagino mesmo que devia ser desse jeito. E olha que nem faz tanto tempo assim.  Estão se extinguindo por toda a parte mesmo. Não vou dizer que não tenha ainda uma grande quantidade e variedade de pássaros aqui na roça, pras bandas desse Cerrado goiano. Não! Até que é comum ainda acordamos com o canto das seriemas, por exemplo, bem-te-vis, pintassilgos, mas, de fato, a gente não consegue, na maioria das vezes, enxergá-los. E como alegram a nossa vida! 

Bem que tento fotografar alguns, como os pica-paus, mas ainda não me deram o privilégio de posar pra minha lente. É uma pena! Consegui fotografar certa vez essa ararinha da foto e alguns tucanos.

Algo, inclusive, que invejo é ver alguém ouvir um canto de um pássaro e saber distinguir na hora qual é ele ou, ainda e mais ainda, saber imitar seu canto. Isso é o máximo!

Os pássaros mais comuns no Cerrado goiano são: Tico-tico-rei-cinza, Gavião-carijó (esse adora comer meus pintinhos), Bentevizinho-de-penacho-vermelho, Tesoura-do-brejo, Beija-flor-tesoura, Quiriquiri, Pássaro-preto, Savi e Sanhaçu-cinzento, entre outros, claro.
Alma-de-gato (Crocoió)

Bentevizinho-de-penacho-vermelho


Tico-tico-rei-cinza


Sovi
 
 
 


Pássaro-preto

            Quem já me leu sabe que, além de escrevinhar vez por outra nesse “humiRde” blog, também gosto de compor umas modas e cantar sobre a vida na roça e outras aventuranças. Segue uma que fiz em parceria com painho (Esmeraldo Mendes Braga) com o tema aqui, acolá, recorrente: os passarinhos.

Lembrando a máxima de um clássico: no peito do desafinado também bate um coração, segue a canção Asas na voz e violão da roceira desafinada, mas apaixonada aqui. Inté!
 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O Bagaço da Laranja


      
 
       As frutas cítricas, de uma maneira geral, são ricas em vitamina C e fibras. A laranja é uma dessas que, também, além do alto teor de água, tem baixo teor calórico, é rica em ácido fólico, potássio e magnésio.

       O bagaço? Pois bem, nele está a pectina, que diminui a assimilação de gorduras, combate doenças e, o que é melhor, tem zero de caloria. A parte branca entre os gomos de uma laranja pode ser até mais preciosa que o sumo. Também contém pectina, uma fibra solúvel que, no intestino, vira uma espécie de gel que emagrece e faz bem para a saúde. É assim: quando o tal gel se forma, é capaz de diminuir a assimilação de açúcares e gorduras e também impedir a reabsorção do colesterol. Mais: além de ajudar a combater a taxa de LDL (colesterol ruim), a pectina é benéfica até para quem tem diabete, já que controla a taxa de glicose no sangue. O bagaço é, assim, ótimo para as paredes do intestino, pois desintoxica.
 
      Por isso, cada vez que comemos o bagaço da laranja estamos aproveitando o que há de melhor na fruta. A fibra encontrada nele é uma espécie de ‘detergente’ para o organismo, já que promove uma eficiente varredura retirando metais e toxinas (provenientes tanto de frutas e verduras com agrotóxicos como de poluentes) indesejáveis no corpo. O bagaço ainda ajuda na digestão dos alimentos gordurosos, favorecendo o trabalho dos intestinos grosso e delgado. Então, será por isso que a laranja sempre acompanha feijoadas e churrascos? Exatamente!

       Da laranja se aproveita é TUDO! A casca? A casca da laranja (descascada sem a parte branca e seca naturalmente) pode ser utilizada para condimentar biscoitos, bolos e fazer chá. A parte branca deve ser ingerida comendo-a junto com a fruta pois também tem fibras e ajuda a absorver melhor a vitamina C da fruta. As sementes você separa e planta nos canteiros ou no seu jardim ou no fundo do seu quintal ou no seu sítio ou na sua roça. Plante!
 
       Descolei uma receita maravilhosa de um bolo feito com o bagaço da laranja. Seguem a receita e o modo de prepara-la:
 
Ingredientes:
- 3 ovos;
- 1 xícara de chá de óleo;
- 1 xícara de chá de açúcar;
- 2 xícaras de farinha de trigo;
- 1 colher de sopa de fermento em pó;
- 1 laranja inteira, INTEIRA, picada com casca e bagaço (só sem as sementes).
 
Modo de preparo:
Bata no liquidificador a laranja, os ovos, o óleo e o açúcar. Numa tigela, misture o fermento à farinha e, daí, misture todo o conteúdo do liquidificador mexendo cuidadosamente e sem bater. Coloque tudo numa forma untada e devidamente enfarinhada e leve ao forno preaquecido para assar por, mais ou menos, 30 minutos. Pronto!
       Então, 'mofi', se lhe sobrar apenas o bagaço da laranja, não vá chorar nem ranger os dentes. Agradeça e aprenda a fazer bom uso desse para se fortalecer, ficar saudável, magro(a) e lindo(a).

       Por isso que gosto da roça, respiro roça e canto a roça como quem canta sua aldeia: ela até pode não ter tudo, mas tem, além de laranja, tudo que gosto e preciso, só que muito mais. Apenas não me confoRmo de ter desprezado a laranja na canção abaixo. Snif!




 

 

 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Forró "For All"

       Dança típica da Região Nordeste do nosso país e especialmente apreciada nas festas juninas, o forró é uma espécie de associação de vários ritmos, como quadrilha, xote, baião, xaxado, tocados tradicionalmente pelo trio: sanfona, zabumba e triângulo. Esse forró se tornou um fenômeno popular devido às canções na voz de Luiz Gonzaga, o Gonzagão (que até hoje é reverenciado), na década de 50, e, não podemos esquecer, por conta também da imigração de inúmeros nordestinos para diversas regiões do país.

      Quanto à expressão – forró – não há consenso. Há quem diga que vem do inglês “for all” (para todos), o que é facilmente descartado pela história, e há quem defenda de forma substancial, como o filólogo pernambucano Evanildo Bechara, que é uma variante do antigo galego-português forbodó, relacionando o termo a farbodão, do francês faux-bourdon. E por aí vai.

      Sem entrar no mérito dessa questão nem ir muito além do forró tradicional, o chamado pé-de-serra (meu preferido), a temporada de forró está aberta Brasil afora que, geralmente, vai do mês de junho a meados do mês de agosto. E, claro, que tanto aqui na roça, como nas roças e arraiais vizinhos, povão se junta com frequência para os arrasta-pés, bate-chinelas, fobós, forrobodós, quadrilhas.
 
       Segue aí a letra e o vídeo de um forrozim dos bão pr’ocês de autoria da “humiRde” compositora aqui. “Óia a cobra! É mentira, Zé.”

 
NA COR BRASIL

HOJE QUERO DANÇAR FORRÓ À LUZ DO CANDEEIRO

ALUMIA AQUI, ALUMIA ALI, ALUMIA ESSE TERREIRO

DEIXA A POEIRA SUBIR E SUOR NA PELE É TEMPERO

QUERO UM SANFONEIRO MULATO

UM ZABUMBISTA BRANCO, UM PANDEIRISTA CAFUSADO

NO RITMO BRASILEIRO: QUADRILHA, XOTE, BAIÃO, XAXADO

 (VEM, VEM)

VEM PRO TERREIRO, VEM DANÇAR A MAIS DE MIL

MISTURAR SUOR E POEIRA NA COR BRASIL

 NO CHÃO DE PURO BARRO

FORRÓ É BOM QUENTE FEITO BRASA

ATÉ NASCER O SOL ALUMIANDO O CAMINHO DE CASA
 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Só "riNU" mesmo


       O mexerico também existe na roça. Opa, e como! Mas, graças a Deus, na sua maioria (o que quer dizer nem sempre), não são fuxicos do tipo incendiar uma plantação.
      Soubemos, por exemplo, que na roça vizinha (uns dois quilômetros pra baixo daqui) Fulano foi demitido por causa de Siclana que negou um pé de coentro para Beltrano. Vale explicar que Beltrano é patrão de Fulano que, por sua vez, é casado, junto, amigado, com Siclana.
      Daí, que eu digo: à frente de um fulano quaRqué tem sempre uma siclana que mal lhe queR. Ah, quem nos contou foi o próprio Fulano a chorar sem saber o que fazer com a escadinha de pequenos (penca de cinco) de bocas abertas a lhe esperar em casa. É, a vida seria mais fácil se num fosse difícil.
      Moral da estória: não vá dormir com o inimigo(a) que ocê vai se dar mal. Batata!

      E por falar em batata, segue uma receita muito apreciada aqui na roça, mais por mim, evidentemente, por ser fácil, rápida e muito econômica - "batata gratinada".

Ingredientes:

  • 1 kg de batatas em rodelas grossas cozidas al dente com sal
  • 1 caixinha de creme de leite
  • 100 g de mussarela picada
  • Orégano e queijo ralado a gosto
  •  
    Modo de fazer:
     
    Coloque em um refratário untado as batatas, a mussarela, o creme de leite, o orégano e o queijo ralado. Leve para gratinar por 20 a 30 minutos. Pronto!
         
          "Inté" a próxima!

    sexta-feira, 14 de junho de 2013

    As "latas velhas" do meu amigo Kênio

                 Conheci o Kênio no colegial. Ele dirigia um velho fusca branco no qual, da roça, iam ele e todos os irmãos estudar na cidade. Fazia parte da ala dos rapazes mais velhos e mais lindos do colégio e as meninas mais lindas e mais populares ele namorou, menos eu “causidiquê” preferia seu irmão mais novo na época (risos altos). Lembro-me bem do quanto ele era divertido e bom de prosa e péssimo em matemática.
    Se esse Fusca falasse ...
    Kênio (Menudo) e seus cinco irmãos. O escondidinho ali atrás era o meu amor platônico
                O tempo passou, perdi contato com quase todos, se não todos, aqueles colegas de infância e só vim lhe reencontrar um bom tempo depois, em 2003, quando fui apresentada à sua família por um primo seu (dele), que morava em Goiânia, com que eu estava namorando e com quem hoje sou casada (o famoso e felizardo Dono da Roça). Vejam só vocês as peripécias e/ou presepadas dessa vida!

    Quando lhe vi (o Kênio), quase caí para trás – nada daquele cara bonitão, bem cuidado, cheiroso, sorriso farto e cheio de dente, etc e tal das minhas lembranças ... Casou-se (a priori, porque engravidou a moça, pelo que me contaram), teve filhos (três) e tem uma neta. Se acidentou, ficou quase aleijado (é meio manco até hoje e penso que por isso requereu aposentadoria tão jovem na época, pelo que sei, quarenta e poucos anos), não bebe mais (mas já bebeu MUITO), mas fuma (muito), perdeu os dentes ... Enfim, só vendo para crer como e no quê meu amigo galã de cinema se transformou. Eis, digo, ei-lo ...
    E eu perguntei: -"Kênio, mofi, o que aconteceu c'ocê?" Ele apenas me sorriu ...
    Assim, de perfil, lembra aquele ator de Hollywooooooood. Aquele ... é ... Ah, aquele.
               Mais vale um sorriso amarelo que a tristeza de ser um banguela? Pode ser. A vida não lhe foi muito generosa? Talvez. Culpa só dele? Num sei. Espero que ele não se zangue comigo por causa de minhas observações caso, evidentemente, a inscrição feita no Lata Velha seja escolhida e divulgada pelo Caldeirão do Huck. Aliás, eu já deveria ter inscrito há tempos. Mas, enfim, como pra tudo há um tempo debaixo do Sol e enquanto houver vida há esperança, fui e fiz a inscrição dele pelo site do programa: http://tvg.globo.com/programas/caldeirao-do-huck/

               Ele dirige, hoje, um Scort 1985, caído aos pedaços, estado de conservação só Deus na causa e/ou o Lata Velha do Caldeirão do Huck (como pode se ver nas fotos abaixo). Nele, ele faz o transporte da família, bem como de todos os “trem” da roça que colhe (hortifrutigranjeiros) pra vender na feira do “arraiaR vizim”, onde tem uma humilde banca.

    de ladim
    De frente
    de banda
    "discosta"
    Kênio - bem ali, depois da porteira no final da curva da estrada

    
    Tia Aurora e o saudoso tio Zé

    Conversando com sua mãe, Dona Aurora (já falei dela num outro post, a quem também chamo carinhosamente de "tia"), viúva do Seu Zé (pai de toda a prole), ela me contou que tem um outro carro na família, inclusive, com muito mais histórias. Reza a lenda que o filho mais velho do Kênio, por exemplo, foi feito nele. Trata-se de um Chevrolet C10, 73, amarelo. Esse carro, apelidado de "lacraia amarela", até lhe seria mais útil na lida do dia a dia da roça para a feira na cidade, mas faz parte do espólio da família e, embora haja a intenção, seus irmãos não assinaram um documento abrindo mão dos direitos em favor do Kênio. Então, achei por bem escrever pro Lata Velha sugerindo uma repaginada no velho e bom Ford ScoRt mesmo.
    
    Não fala, não anda, é surda e muda, mas o que tem de história essa "Lacraia" ...

    Ó a situação, misericórdia!

    "SafadEnho"
    Bom, depois de tudo dito e exposto, penso que num preciso nem dizer que, seja qual for dessas 'latas velhas' a contemplada, nunca antes em toda a história do Lata Velha existiu uma lata velha tão precisada do Lata Velha quanto uma dessas latas velhas.
    
    Kênio, mulher e filhos
    Assim, vem, gente, Luciano e cia! O Kênio e sua família esperam vocês com um café coado e passado na hora e um bolinho de fubá de lamber os beiços pedindo bis.
     

    quarta-feira, 22 de maio de 2013

    Antigamente Era Assim


    Jorge e Regina
    Havia cartas de amor. Pedidos em casamento ao pai da moça.
    Tinha serenatas quando a noite já ia alta. Moda de viola legítima, mora?
    Existiam beijos guardados em desejos secretos para talvez, quem sabe, algum dia.
    Mãos em suor, rubor, olhares que se namoravam na sala. Havia! Tinha! Existia!
    Eu mesma encontrei guardadas duas cartas – uma: um pedido; outra: uma resposta.
    Coisa mais linda e rara de se ver, digo, não se vê mais agora.
    Um Jorge pede em namoro uma Regina ao seu pai, Sr. Sebastião.
    Seguem aí as cartas graças à tecnologia. Bão!
    O pedido

    A resposta
    Nenhum dos dois, ou melhor, dos três, estão mais aqui, mas sabe-se que se casaram (os dois: Jorge e regina), tiveram três filhos que já tem filhos e, esses, outros filhos ... E por aí vai.

    quinta-feira, 16 de maio de 2013

    Bonitinho


     
    Quando eu era de menor, “causidiquê” pequena nunca fui
    Costumava desenhar uma casa
    Com chaminé, porta, cortinas numa janela aberta
    Árvores, uma rede com uma pessoa deitada nessa.
     
    Vales, montanhas, Sol e grama verde.
    Já de maior, vim morar numa roça.
    E tem gente que diz que a vida não é engraçada.
    Pode até não sê-la, mas, daí, a culpa é nossa.